Troquei meus livros por um Kindle

Em 19.10.2016   Arquivado em Blog, Destaque, Livros

Entre o meio de agosto e o começo de setembro, eu tomei uma decisão: iria me desfazer dos meus livros.

Tenho feito algumas mudanças na minha vida e entre elas está o consumo consciente aliado ao desapego do que eu não uso ou não me faz bem. De certa forma, os livros estavam se enquadrando nessas duas categorias. Eu não os usava, porque os que já li eu dificilmente lerei novamente e os que eu não havia lido estavam encaixotados, porque eu estou postergando a compra de uma estante desde que me mudei (em setembro do ano passado!). E era isso que estava me deixando angustiada com relação a eles: a falta de um lugar adequado para guardá-los e acessá-los sempre que eu quisesse.

Desde que comecei as minhas faxinas minimalistas, eu me desfiz de tantas coisas! E muitas delas eu achava que era muito apegada, que não poderia viver sem. Mas me senti tão feliz quando finalmente foram embora e liberaram espaço aqui em casa.

Com os livros não foi diferente. Eu nunca tinha pensado em me desfazer deles, mas desde que tomei a decisão foi uma coisa tão natural e eu me senti tão bem e leve! Eles foram embora e eu não chorei pela sua partida.

Nem todos se foram, eu admito. Mas hoje apenas doze ainda moram comigo. Menos de 10% do volume inicial! Ficaram apenas os que realmente tem sentido na minha vida. Estou orgulhosa e muito feliz!

Os livros foram substituídos pelo meu novo Kindle (um leitor digital – uma espécie de tablet que “só” serve para leitura) e a mudança foi um verdadeiro upgrade da minha vida de leitora! Tenho lido muito mais do que antes, porque agora em qualquer lugar que eu esteja, eu tenho não um livro, mas toda a minha biblioteca à minha disposição. Mesmo que o Kindle não esteja comigo – o que raramente acontece, pois o carrego na bolsa para todos os cantos – eu posso ler pelo aplicativo, no celular, que salva a página que parei no Kindle e tudo o mais.

Eu passei metade da vida como leitora de biblioteca. Pegava livros emprestados e depois os devolvia, com a satisfação de ter adicionado mais uma história na minha lista mental de livros lidos. Não sei porque passei a ver os livros mais como objetos do que como experiências.

Eu continuo amando livros físicos e posso perder horas admirando-os dentro de uma livraria, mas eu não preciso mais levá-los para casa, onde vão perder todo o seu brilho, encalhados na estante – ou ainda pior: dentro de uma caixa! E para os livros que eu realmente amar e quiser ter um exemplar todo em papel, lindo e reluzente, ainda tem um lugar separado aqui em casa e no meu coração!

Recomendo esse exercício para todo mundo. Não precisa se desfazer de toda a sua estante e nem mesmo comprar um Kindle. Mas repense todos os títulos que você guarda só para fazer volume, de obras que algumas vezes você nem gostou ou até mesmo nem leu e não pensa em ler. Não faz sentido manter essas histórias aprisionadas. Venda, compre outros livros com o dinheiro e depois venda de novo. Troque por um livro que você quer mais do que aquele que já foi lido. Dê de presente para um amigo. Esqueça no ônibus para que outras pessoas possam lê-los. No fim, você também vai se sentir mais leve e feliz, pode acreditar!

Mas é claro que se você se sente muito bem e feliz como colecionador de livros, você não precisa fazer nada disso. Cada um sabe o que é melhor para si e não existe nenhuma forma certa ou errada de viver a vida! Essa experiência deu certo para mim e é algo em que eu acredito, mas não tem nenhum problema ter a opinião totalmente contrária à minha. 🙂

Se você se interessou um pouco mais pelo Kindle, em breve vou fazer um post contando a minha experiência com ele. 🙂

Se você quiser comprar um kindle ou até mesmo livros físicos, vale a pena dar uma olhada lá no site Cupom Válido, que tem vários cupons de desconto para lojas virtuais de vários segmentos. Passa lá!

E você também pode deixar suas dúvidas a respeito ou a sua experiência com um e-reader aqui nos comentários. Vou adorar conversar sobre esse assunto!

Livro: Thirteen Reasons Why (Os 13 Porquês)

Em 30.09.2016   Arquivado em Livros

Faz um tempão que eu não falo sobre livros aqui no blog, mas esse livro eu terminei de ler ontem e preciso compartilhar com vocês!

Hoje é o último dia de Setembro, e nós temos o Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio (se você não conhece esse projeto, eu recomendo que conheçam o site para saberem mais detalhes).

Então, além de falar um pouco sobre o livro, que permeia esse tema tão pesado, mas que não deixa de ser uma realidade (o suicídio), quero conversar um pouco sobre como a gente deve sempre se colocar no lugar das pessoas e nos preocuparmos com o impacto que temos sobre a vida delas.


Título: Thirteen Reasons Why (Os 13 Porquês)
Autor: Jay Asher
Editora: Razorbill (No Brasil foi publicado pela Ática)
Ano: 2007
Especificações: Li em e-book, pelo Kindle.

Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto então ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker – uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás.
Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar e que Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Duas semanas após o suicídio de sua colega Hanna, Clay recebe uma caixa contendo 7 tapes gravados por ela, explicando os motivos que a levaram a cometer suicídio. São 13 pessoas envolvidas. Cada uma delas contribuiu de alguma forma e vai ter a sua história contada de um lado de uma das fitas.

Ele não poderia ficar mais chocado, afinal, ele era apaixonada pela Hanna e não consegue imaginar o que tenha feito que possa ter contribuído para transformar a vida dela em algo tão insuportável para que ela desejasse acabar com tudo.

Ao longo de toda a escuta, o Clay vai fazendo auto questionamentos e alguns complementos à história da Hanna. Mas eu realmente me incomodei com a falta de profundidade que ele ganhou. Além da Hanna, ele é o protagonista do livro e pouco é dito sobre ele. E ele pouco contrubui para a história que a Hanna está contando.

Uma informação importante: o gatilho para a depressão da Hanna, que a levou a cometer suicídio, foi o slutshaming – um tipo de bullying, onde uma garota é humilhada e ridicularizada por ser considerada fácil e/ou vulgar. Recomendo muito a leitura desse artigo para um entendimento melhor sobre o assunto. Muitas vezes a gente pode fazer algo parecido e nem se dar conta disso.

O livro é narrado em primeira pessoa, com a perspectiva destes dois personagens: a Hanna e o Clay. Quando é ela quem está “falando”, as palavras ficam em itálico, para conseguirmos identificar de quem é o ponto de vista.

A divisão dos capítulos é feita pelo número e pelo lado da fita, conforme elas vão sendo ouvidas pelo Clay.

Eu gostei muito do livro. Mas acho que poderia ter tido um pouco mais de profundidade no assunto tratado. Algumas coisas ficaram bem superficiais. E como eu já disse, eu gostaria que o Clay tivesse acrescentado um pouco mais à história, tanto na relação deles, como na vida dele e principalmente com informações adcionais sobre a Hanna e a vida dela. Houve, inclusive, algo que ele falou sobre o velório dela que eu fiquei extremamente intrigada, esperando que houvesse uma explicação para o que aconteceu, mas depois ele nunca mais retomou o assunto.

Vamos falar sobre depressão e suicídio?

O livro bate repetidamente na tecla Como as nossas atitudes impactam a vida das pessoas com quem nos relacionamos?. E eu tenho certeza que essa é uma discussão importantíssima para termos. Mas indo um pouco além disso, eu gostaria de perguntar: Por que a gente sempre quer decidir como as pessoas devem se sentir a respeito das coisas?

Lendo alguns comentários sobre este livro, eu me deparei com várias pessoas discutindo sobre se os motivos que a Hanna apresentou eram válidos ou se eram só drama e vontade de chamar a atenção. No próprio livro, um dos personagens não aceita o fato de que ele contribuiu para a morte da Hanna, ele alega que ela apenas estava procurando um motivo para colocar fim à vida, que ele não havia feito nada.

O que eu gostaria de chamar para reflexão, é que as pessoas são únicas e como nos sentimos a respeito de cada coisa é subjetivo e depende de uma série de fatores, como a nossa cultura, nossa criação, nosso temperamento… Cada sopro de vento a que estamos expostos constroem o que somos e como vamos reagir aos esímulos que recebemos na vida. É algo muito parecido com gosto: cada um tem o seu e nós devemos respeitar o do outro.

Talvez para o leitor que se deparar com a história da Hanna, os motivos que ela apresentar não sejam suficientes para que, caso aconteçam na vida desse leitor, ele coloque fim à própria vida. Mas eles foram suficientes para a Hanna.

Nós não decidimos como as pessoas vão se sentir a respeito das coisas que fazemos. Apenas elas podem decidir porque apenas elas vão sentí-las. É individual. Emoções não são padronizadas.


Eu quero te convidar a ler esse livro e refletir sobre esse assunto.

É um livro muito válido para todas as idades, mas acho que adolescentes deveriam o ter como leitura obrigatória. Algumas vezes nós somos duros com as pessoas, somos cruéis e perversos e não nos importamos de nos divertirmos em cima de seu sofrimento. Mas é importante refletirmos sobre as consequências a que isso pode levar.

Espero muito mesmo que vocês pensem sobre esse assunto e que possamos construir um mundo melhor e sem preconceito através das nossas atitudes.

Informações adcionais:
Você pode encontrar o livro em português e em inglês na Amazon. O ebook só está disponível em inglês. Eu não recebo nada caso você clique nesses links.